o banco & a bolha

O banco tem um propósito único e exclusivo: ganhar dinheiro, obter lucro.
Mais nada. Tudo o que vai além disto é paisagem: – Marketing.
Cristo expulsou os vendilhões do templo, mas depois deixámo-los entrar de novo, aliciados pela promessa da riqueza fácil. Agora aí estão e dominam o mundo. Praticam a usura sob toda a forma de subterfúgios, com a máscara da benevolência.
Para atingir o objectivo do lucro, o banco utiliza todo o tipo de estratégias. Não importa quais, nem como, desde que garantam o máximo de ganho. Foi exactamente isso, porém, que esteve na origem da crise internacional do mercado imobiliário: – métodos inovadores, muito sofisticados, que levaram bancários à prisão quando percebemos que suas equações matemáticas tinham variáveis e incógnitas a mais.
Quando vemos o patrocínio de um banco num evento cultural ou num acto de benevolência social, podemos ter a certeza de que com o evento o banco está a ganhar dinheiro. Directa ou indirectamente. Antes ou depois.
Quando na TV ou em qualquer campanha de marketing lançada na comunicação social o banco faz o seu apelo à felicidade, à estabilidade financeira, à segurança familiar, ao amor, à confraternização… tudo isso não vai além da campanha de publicidade e o único objectivo mantém-se. Trata-se apenas de estratégia.
Quando o banco entra na casa das pessoas através dos média, das redes sociais, da comunicação em geral, veste a sua pele de cordeiro… promete a realização de sonhos, a garantia da felicidade, é ele que resolve os problemas das pessoas, garante o seu futuro, o dos seus filhos e o dos seus netos. É ele que lhe entrega as chaves do seu carro e tem a chave da garagem.
Por debaixo dessa máscara de benevolência e sinceridade quase altruísta, o banco esconde a sua face. Sob a pele de cordeiro labora uma máquina colossal empenhada dia e noite em garantir o objectivo único e ancestral.
O banco, o banqueiro, tem uma visão misantrópica de tudo o que vai além do seu propósito.
O banqueiro, o dono do banco e o seu exército de investidores e accionistas, é um espírito frio e calculista. As migalhas que reparte com aqueles que o sustentam são devidamente calculadas e contabilizadas, para serem reutilizadas na altura devida.
Quem ganha com o lucro do banco são os accionistas, os donos, os banqueiros, os presidentes e os conselhos de administração, os gestores, os administradores, e toda uma panóplia de gente bem instalada que vive à custa da obtenção de lucro do banco. Todos esses intervenientes laboram em prol do objectivo único de forma contínua e sem desvios. E têm que ser bem alimentados.
O cidadão comum é obrigado a fazer parte dos clientes do banco no mundo dos “mercados”.

Faro, Setembro de 2018
Álvaro de Mendonça
 

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