Robin dos Bosques — O assalto ao BPI.

Enquanto aguardo que as Entidades Públicas Responsáveis, a CAAJ [A Comissão para o Acompanhamento dos Auxiliares da Justiça (CAAJ) que é a entidade administrativa independente, com atribuições de supervisão e regulação dos auxiliares da justiça, parece estar entulhada de denúncias e a prioridade é para os casos apresentados pelos DIAPs] e o Conselho de Deontologia da Ordem dos Advogados, se pronunciem sobre as queixas formais já apresentadas, na sequência de comportamento pouco claro dos agentes, e de uma advogada especialista, envolvidos no processo executivo que destruiu o meu investimento imobiliário, e porque não sei o que nos reserva o dia de amanhã, estou convicto de que terá chegado a altura de tirar o proveito daquilo de que fui acusado, já que até aqui apenas relatei a história como documentário para conhecimento da sociedade civil portuguesa.

Espero naturalmente que a poderosa instituição financeira compreenda que defendemos os mesmos princípios e nunca agimos de forma menos correcta. 

Cabe-me, no entanto, a responsabilidade de relembrar e esclarecer alguns factos e detalhes de forma simplificada, para que se perceba o ponto de vista do cidadão comum e o porquê de sua convicção:

  • Certamente o banqueiro está consciente da sua acusação, veiculada pela advogada especialista que contratou para o efeito, e da conclusão jurídica que a mesma possibilitou. Sabe também que não apresentou provas nem fundamentou a sua difamação, mas obteve o que pretendia. Tal como obtivera antes a possibilidade de fazer mais uma negociata, com o conluio dos agentes nomeados no âmbito do processo executivo simplex… e teve ainda o desplante de dizer que o fez “para eu não ter mais prejuízo”, como se fossemos todos analfabetos.
  • Sabe também que, afinal, não sou o arquitecto/urbanista que vivia em Faro com o agregado familiar e que estava a utilizar o duplex de forma fraudulenta. Essa descoberta foi a primeira tarefa da solicitadora de Bragança que o banqueiro nomeou para “agente-de-execução”, que na altura não se sabia bem o que era, mas era o que “estava a dar”. Quando consultou a repartição de finanças Almada 3 arrumou o processo na prateleira porque percebeu que ia demorar a facturar, apesar de continuamente apresentar as suas despesas. O forrobodó destes agentes [uma espécie de comerciantes jurídicos pagos à unidade, que actuam entre os seus interesses financeiros e a regularidade processual, acerca da qual dizem o que lhes cumpre dizer], só acabou com a chegada da Troika. Mas já eram elevados os estragos causados ao cidadão comum, vítima das crises que assolaram o país a partir de 2006. E que prosseguem.
  • O banqueiro sabe que a agente de execução e a sua sociedade com fins lucrativos já passou mais de dez anos a tirar fotocópias e a emitir actos electrónicos e que fez o que lhe cumpria fazer. ”Avaliou” o imóvel por menos 60.000.00€ e não esclareceu como… foi preciso uma avaliação exterior ser aceite pelo Tribunal.
  • Depois o banqueiro impingiu o Sr Amílcar Santos como seu “agente de venda”, um homem dos sete instrumentos que tinha um armazém no Barreiro. Sacou mais de 7.000 sem fazer nada. Nem sequer conhecia o duplex (pensava que era um T3 na Baixa da Banheira), e continua a vender petroleiros. Utilizou o decreto Lei errado e mesmo aí a solicitadora sem formação jurídica disse o que lhe cumpria dizer, para além de inventar “uma rápida desvalorização”, em vez de cumprir a neutralidade que o seu cargo exige. O vendedor de ferro velho do banco BPI S.A. diz que os senhores juízes é que sabem o que se está a passar e está calado para não dizer mais disparates.
  • Depois o banqueiro contratou uma advogada especialista para resolver o problema da “digna mudança de residência” do agregado familiar dos bandidos que vandalizaram o duplex. Mostrou um grosseiro desprezo pela situação que os executados tiveram que enfrentar — Compreendeu a situação mas teve que acautelar os seus interesses.

O mais curioso e caricato deste processum foi eu ter apresentado atempadamente o pedido de apoio judiciário, em 24 Junho de 2006, e o mesmo ter “sustido” o processo no dia em que caiu o Lehman Brothers, dois anos depois.
Creio que essa amostra é suficiente para se entender o modus operandi da reforma do sistema executivo processada “à Lagardère”, para resolver o problema de mais de um milhão de processos que entulham os Tribunais, para ressarcimento e para satisfação das Instituições Financeiras. 

O Estado transformou o cidadão comum numa espécie de anátema, um criminoso à partida, sem sequer presumir a sua possível inocência. Meteu no mesmo saco o cidadão comum, os especialistas em fraude imobiliária, os subprimes, os oportunistas, os abutres e os criminosos que vivem à custa da Banca e da sua promiscuidade com a política-governativa.

A Banca, naturalmente, aproveita tudo isso para satisfazer a sua gulodice. De forma legal e descarada quanto baste.

É assim no País dos Bancos. E vai continuar assim.

Portanto, para os Excelentíssimos banqueiros, eu sou uma espécie de Robin dos Bosques: — Vivia em Faro e usava o duplex para fazer mais algum; Queria ficar com o bem imobiliário do Banco; Não queria entregar as chaves; Causei elevados prejuízos; O Banqueiro já não podia obter qualquer rendimento do bem — dado o estado em que se encontrava.
Não será, Senhores Banqueiros?… Se não, porque haveriam de contratar alguém pago para mentir e difamar por vós com o intuito de obter parecer jurídico favorável? Uma especialista no assunto, actualmente associada coordenadora de famigerada sociedade de advogados independente, mas que no seu currículo público nem sequer refere ter trabalhado para o BPI.

Por que razão o Tribunal não questionou a veracidade das acusações da causídica, uma vez que se tratou de uma acusação grave, contra a honra e dignidade do cidadão?… terá sido à Lagardère?… qual o papel da solicitadora de Bragança neste episódio? Terá dito o que “lhe cumpre dizer”, e tirado mais meia dúzia de fotocópias?

O que o Robin dos Bosques tinha a fazer para esclarecer a sociedade civil portuguesa acerca deste processum morbidus já está feito e é do domínio público. Como o mais bem pago banqueiro de Portugal e seus parasitas provavelmente já sabem: “eu não assaltei o bpi – ensaio sobre a iniquidade” [Segunda edição, revista e actualizada prevista para Janeiro de 2020]; O Banco e a Bolha; O cidadão Comum.

O banqueiro mais bem pago de Portugal, apesar da sua conhecida misantropia, sabe que cometeu um erro grave ao acusar o Robin dos Bosques sem prova nem fundamento, mas está-se borrifando para o assunto. No entanto o saque do duplex é certamente uma migalha que serviu para lhe encher o papo.

Sabe, porém,  que esse erro é o osso que o cão do bandido já não larga… e que há-de ladrar até que toda a vizinhança, e o polícia, acordem.

O episódio que se segue, enquanto as instituições responsáveis por garantir a fiabilidade do seus agentes e advogados deliberam, já lá vão cinco meses, acerca de suas condutas, visível e provavelmente subversivas, é o “assalto” do Robin dos Bosques ao banco que o assaltou descaradamente com a ajuda do Xerife de Nottingham.

Sede assim, senhores banqueiros, bem vindos ao quadro de regularidade extra-processual, ao mundo legal e transparente e à actuação que não é “menos correcta”.

Atenciosamente,

Robin dos Bosques, o executado.

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